quinta-feira, 17 de novembro de 2011

um fim sem começo.

ela sabia. desde o dia em que aquela fagulha de felicidade percorreu a sua espinha.
 - a gente pode bater um papo?
ela só queria chegar em casa e despejar as palavras naquela tela em branco, sem dar tempo para o cursor piscar.
 - então...
andava na rua apressando os passos, buscando a porta de casa como quem busca um esconderijo em uma brincadeira de esconde-esconde.
 - depois daquele dia, eu fiquei pensando e...
sentia o nó apertar a garganta e uma pequena poça de água salgada se formava no fundo dos seus olhos.
 - o que eu estou querendo dizer é...
como pode ter sido tão estúpida novamente? já não passara por situações assim antes? por que ela não aprendera?
 - eu percebi que eu tinha que escolher...
nem tinha durado tanto assim, talvez nem contasse como alguma coisa. então por que ela estava daquele jeito? tentava não piscar, para não transbordar os olhos.
 - achei melhor parar agora...
queria ligar pra ele e falar tudo o que não conseguira processar nos cinco minutos da notificação. talvez fosse melhor não. qual é o protocolo pra essas situações?
 - eu estou a um passo de um namoro.
era melhor ele não saber. não saber que ela tinha ficado triste. que ela o queria. e que ele tinha criado mais uma história com um fim sem começo.

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