quarta-feira, 18 de maio de 2011

desafios diários:

1) escolher uma roupa para trabalhar que não te faça passar frio nem calor;
2) decidir o que fazer com o seu cabelo e a personalidade própria dele;
3) se equilibrar em cima do salto, mesmo quando suas pernas não têm força nem pra ficar em pé debaixo do chuveiro;
4) andar pelas calçadas esburacadas de São Paulo sem torcer o pé e cair;
5) ficar linda e perfumada até o fim do dia;

sexta-feira, 13 de maio de 2011

sonhos

esta noite sonhei com você.
não foi romântico ou especial. foi simples, como a realidade cotidiana. e, justamente por isso, eu queria não ter acordado. queria ter ficado ali, naquele universo paralelo, onde você estava ao meu lado, onde eu podia te tocar e sentir o seu cheiro. naquela situação não-impossível, simples e acolhedora.
mas eu acordei. e lembrei que você está a 10.000 quilômetros ou mais longe de mim.

terça-feira, 3 de maio de 2011

letras.

M foi o seu primeiro amor. E o mais puro deles. Eram crianças. Trocavam cartinhas, bilhetinhos, presentes no Dia dos Namorados. Mas não pegavam na mão. Só se olhavam e se gostavam. Dali alguns anos, se beijariam em uma pracinha. Talvez nunca ficassem juntos pra valer, mas se olhariam com ternura para sempre.

R surgiu de maneira inesperada. Ficaram juntos por um tempo. Até ele ter ciúmes do que não podia ter. Até ela perceber que os objetivos de vida eram diferentes e que não havia espaço ali para a diferença. Até perceber que ela precisava de mais espaço pra voar.


G sentou-se com ela em um banco, tomaram chá e comeram bolachas. Foram sinceros, decidiram se conhecer melhor. Ela fez tudo o que acordaram. Ele não. A deixou com dúvidas e perguntas. Ressurgiu querendo encontrá-la. Só para dizer que estava confuso e tinha que seguir a vida. E seguiu.

T era o que ela tinha sonhado até ali. Seus olhos verdes a deixavam um pouco perdida. Seu perfume era diferente e ela não sabia como definí-lo. Gostava de boas músicas, tocava, cantava. Ligava para ela algumas vezes no dia. Mandava mensagens fofas. E-mails com corações. Não era muito feliz por causa das mudanças em sua vida, mas ela achava que poderiam ser, juntos. Ledo engano, Leda Nagle. T enviou um e-mail e acabou com tudo, em uma linha.

LH era doce, como o seu perfume. Era amigo e atencioso e carinhoso e devotado. Era bom filho. Queria fazer as coisas certas. Gostava mais do que ela podia corresponder. Tinha tudo para dar certo, mas alguma coisa parecia estar errada com ela. Terminou, pra nunca mais voltar.

L tinha charme. Sabia o que dizer para deixá-la desconcertada. Era amigo, antes de qualquer coisa. Sempre quiseram se beijar. Sempre se seguraram para não. Um dia não conseguiram mais. Foi intenso e proibido. E, por ser proibido, não deveria acontecer novamente.

T era homem formado. Fingia ser criança, às vezes.  Um perfume que no inglês seria delightful. Tinha classe, conhecimento. Era way out of her league. Foram no cinema, teriam que assistir o filme de novo, pois perderam algumas partes. A levou em casa e nunca mais se viram.

L era alto e aguentava um salto 15 com tranquilidade. Era afoito, talvez por causa da idade. Gostava de sair pra tomar café, ir no cinema e ficar em casa assistindo TV. Se vestia bem e tinha um perfume tímido. Era ideal. Mas não fazia o dela coração sambar. Não fazia ele sair do ritmo.

G usava um perfume que grudava em seu nariz e a fazia lembrar dele o resto do dia. Queria fazer coisas diferentes a cada encontro. Gostava e cantava sertanejo no carro. Era inteligente, com conversas inteligentes, com papos engraçados. Era forte. A olhava com um interesse genuíno. A beijava com vontade. Mas não estava pronto. Dizia não estar. Assustou-se. Sumiu. A deixou no vazio sem saber o que pensar.

F tinha um cheiro só dele. Uma mistura de perfume, tabaco e chiclete de menta que a fazia perder a razão. Tinha o corpo sempre quente, sempre. A fazia sentir tranquilidade quando deitava ao seu lado e a segurava em seus braços. A beijava com ternura e desejo. Ouvia seus segredos. A fez feliz por um mês e um mês só. F disse eu não me interesso mais por você como me interessava antes e foi embora, deixando a ferida aberta pra infeccionar.

D. Se só existe um amor na vida, então era ele. Era teimoso e cabeça dura. Se vestia com roupas alternativas. Tinha o mesmo cheiro inebriante desde os 13 anos. Era inteligente, esperto, com conversas divertidas. Ria de um jeito engraçado. Beijava com carinho e respeito. Talvez com amor? A fazia lembrar de Persuasion, da Jane Austen. A fazia lembrar de My Heart, de Paramore. A fazia lembrar de I’m Not Over, de Carolina Liar. A fazia lembrar de tantas coisas. Mas nunca estavam no mesmo tempo e espaço. E talvez nunca fossem estar.