Enquanto o barulho do salto dos sapatos ritimavam os meus passos e a chuva caía melodiosamente sobre a minha sombrinha, eu não conseguia parar de pensar que a verdade é que I’ve been sad. Tão triste que eu choraria por nada, embora nada tenha conseguido me fazer chorar. Eu visto as minhas fantasias. Minha calça preta, social, do tipo que não é a primeira opção no guarda roupa. O cabelo preso comportadamente numa presilha. Eu chego à porta e, com a coragem que eu consigo juntar, visto um sorriso e bato. O verdadeiro eu, no momento? Tá de pijama, embolada na cama sem vontade de sair, com quilos de chocolate e toneladas de frases não ditas. De menina, eu só tenho a cara. E não é por muito tempo. Tempo. Passa enquanto eu escrevo. “O problema de começar cedo, é se desiludir com a profissão”. Oh really? Desilusão é olhar pela janela.
quinta-feira, 29 de maio de 2008
91. (empty)
Enquanto o barulho do salto dos sapatos ritimavam os meus passos e a chuva caía melodiosamente sobre a minha sombrinha, eu não conseguia parar de pensar que a verdade é que I’ve been sad. Tão triste que eu choraria por nada, embora nada tenha conseguido me fazer chorar. Eu visto as minhas fantasias. Minha calça preta, social, do tipo que não é a primeira opção no guarda roupa. O cabelo preso comportadamente numa presilha. Eu chego à porta e, com a coragem que eu consigo juntar, visto um sorriso e bato. O verdadeiro eu, no momento? Tá de pijama, embolada na cama sem vontade de sair, com quilos de chocolate e toneladas de frases não ditas. De menina, eu só tenho a cara. E não é por muito tempo. Tempo. Passa enquanto eu escrevo. “O problema de começar cedo, é se desiludir com a profissão”. Oh really? Desilusão é olhar pela janela.
quinta-feira, 15 de maio de 2008
90. Eu quero_I
Eu quero.Eu quero construir uma cidade, com um jardim no meio [uma Igreja do lado], onde todos iriam após o jantar, levariam suas cadeiras de praia debaixo do braço e se sentariam com os vizinhos amigos para conversar. Não haveria fofoca. Apenas conversa. Uma cidade sem prédios, que é pra não entulhar, não atrapalhar os passarinhos, não intimidar as nuvens. Uma cidade com microônibus. Talvez um trem. Poucos carros. Algumas bicicletas. Nenhuma moto. Na esquina, o tio do cachorro quente.
Quero acordar às sete, tomar um banho revigorante, um café feito no capricho. Abrir a cortina florida e ver a cidade acordando. Descer para a loja... de artesanato. Sentar atrás do balcão pra pintar. Ouvir o sino da porta anunciando os apreciadores dos meus passatempos. Minhas mãos têm pequenos respingos coloridos de tinta, alegres. Na hora do almoço? Vou pro restaurante no jardim, almoçar com os amigos, com a família e com o marido. Futuramente? Vou pra casa preparar o almoço das crianças. A lojinha me espera, com uma placa artesanal que diz “volto logo”. E eu volto.
De noite? Aaah, ela é uma criança. Tem dia que tem cinema, ou teatro, ou apresentação das crianças na praça, desfile na rua; jantar para os pais, namoro na cama, filme na sala. O humor dita a regra.
O dicionário da biblioteca é bem mais fino. Não tem coisas como: violência, amanhã, pressa, economia, briga, traição, ganância, egoísmo.
Para ir morar lá? Coloque Deus no seu coração e escolha a sua casa. Largue tudo pra trás: o emprego enlouquecedor, o caos do trânsito, o acesso rápido. A globalização é um conceito distante, de uma época doentia. Você quer conhecer o mundo? Vá e conheça, aprenda, não deixe os outros aprenderem por você.
Nada de ficar entediado. A cidade é tranqüila, não parada. E por tranqüila, eu quero dizer livre de preocupações. Não me entenda mal, a vida não é perfeita.
Mas eu diria que é bem menos complicada.
A.A. Melaré
quarta-feira, 14 de maio de 2008
89. Só com Deus.
Do lado de fora da janela eu vejo um céu cinza, que não sei se é poeira ou a tristeza traduzida em frente fria. Vejo prédios, cheios de vidas empilhadas e, se olhar pra baixo, vejo vultos de pessoas correndo, atrasadas para a vida.Do lado de cá, o nosso sofá improvisado, uma mesa cheia de papéis. Tintas no chão, aguardando uma caixa secar para dar um pouco de cor a ela e às mãos de quem vai pintá-la.
Estou sozinha com as minhas insistentes preocupações, minha falta de vontade, as minhas lágrimas que não querem cair e só ficam encharcando meu coração.
Bem que a minha mãe me disse. Crescer dói [muito].
Não sei quantos de vocês já ouviram falar de Joseph Campbell, ele foi um estudioso norte americano de mitologia e religião comparativa e que, infelizmente, veio a falecer em 1987. Ele escreveu um livro chamado O Herói de Mil Faces, inspiração de George Lucas para a série Star Wars. Eu ainda não tive a oportunidade de lê-lo, mas assisti a um vídeo-documentário feito pelo jornalista Bill Moyers pouco tempo antes da morte de Campbell. No vídeo, eles conversam um pouco sobre a jornada do herói, que consiste basicamente no seguinte:
Herói não é somente aquela figura mística mundialmente difundida, como Hércules, por exemplo. Campbell explica que herói é todo aquele que sai de uma condição e "morre simbolicamente", para posteriormente ressuscitar e chegar a uma condição diferente, mais rica ou mais madura. O objetivo do herói é salvar um povo, uma pessoa [que pode ser ele mesmo] ou uma idéia. Ele se sacrifica por alguma coisa e passa por três estágios: a partida, a realização e o regresso.
A teoria se alonga e eu não vou gastar muito tempo com isso. É que eu cheguei à conclusão de que eu já comecei a minha jornada. Sabe, por mais dramático que isso possa parecer para os outros, eu larguei tudo o que eu mais gostava pra trás e vim pra essa selva de concreto. São 100 km de distância? Não é essa a distância que o meu coração mediu. A jornada é dolorida e o caminho de Deus é tão estreito.
De noite, quando encosto a cabeça no travesseiro e rezo, eu penso "esse não é o meu lugar, eu não pertenço a essa vida". Talvez seja algum tipo de crise do bebê no útero, se é que isso existe. Mas, ao contrário do bebê, eu não quero sair. Eu quero ficar ali. Quieta.
Os meus sonhos estão nublados. Eu não sei mais o que eu quero ou pra onde eu devo ir. E o pior, é que existem pessoas que contam comigo, que investiram em mim de todas as formas possíveis.
Só com Deus.
http://www.youtube.com/watch?v=-08YZF87OBQ