segunda-feira, 28 de abril de 2008

88. Fatos

01. Eu sou uma fumante passiva, e fumo quase que 1 hora por dia.
02. Desde que vim para cá, peguei a irritante e constante mania de morder a parte interna da boca.
03. São Paulo é uma moça que se arruma pra sair à noite, e fica linda.

87. O Poder Simbólico

São Paulo me faz chorar.
Claro que isso é só uma forma de expor as coisas, porque eu sei que não é a cidade da garoa, em si, que me faz derramar lágrimas semanais, e sim a situação que me faz estar aqui.

Enfim, descobri que os acadêmicos têm uma necessidade inexplicável de "dar nome aos bois". Existe terminologia pra t.u.d.o. Uma delas é "poder simbólico", que a Sociologia me ensinou que é o poder atribuído à uma pessoa, causa ou instituição e que faz com que ela seja respeitada (ou temida, na minha opinião). Isso acontece com todo mundo, e eu tenho certeza que vocês já tiveram contato com o tal poder.
Eu acabei de ter.

Aqui na faculdade nós temos à disposição câmeras digitais e analógicas profissionais (que são lindas, diga-se de passagem). Só que o que seria do mundo sem a burocracia? (um lugar mais feliz, provavelmente) Para pegarmos as câmeras emprestadas, precisamos da autorização de um professor ou, na ausência dele, do coordenador de curso.

O coordenador do meu curso... bom, ele é uma peça.
E eu e muitos outros alunos têm um certo medo do poder simbólico que ele tem.
Adivinha só, meus professores de fotojornalismo não estarão na faculdade na próxima semana (por causa do feriado), então eu tinha que pedir autorização pra quem?
Exatamente.
Eu respirei fundo, disse à mim mesma: Amanda, ele não morde, e fui falar com O cara.
Eu comecei com "Professor, o senhor tem um minuto? Eu preciso de um favor..." e desembuchei explicando a situação.
Ele cortou o que eu estava dizendo. O que me fez percerber que eu não estava sendo objetiva, como é esperado de uma futura jornalista.
Ok, ele assinou o meu papel e ainda completou com "não é um favor, é uma obrigação".
Agradeci e saí da sala, no que percebi que se alguem falasse comigo nos próximos dois minutos, haveria um risco enorme de eu desabar em prantos.
The man scares the wits out of me.

Bom, eu vou parar de escrever, porque preciso entregar o papel com a assinatura do temido.
Abraços e boa semana.
A.

terça-feira, 15 de abril de 2008

86. O Brasileiro

Brasileiro é um povo solidário.
Mentira.
Brasileiro é babaca.
Eleger para o cargo mais importante do Estado um sujeito que não tem escolaridade e preparo nem para ser gari, só porque tem uma história de vida sofrida; Pagar 40% de sua renda em tributos e ainda dar esmola para pobre na rua ao invés de cobrar do governo uma solução para pobreza; Aceitar que ONG's de direitos humanos fiquem dando pitaco na forma como tratamos nossa criminalidade... Não protestar cada vez que o governo compra colchões para presidiários que queimaram os deles de propósito, não é coisa de gente solidária. É coisa de gente otária. Brasileiro é um povo alegre.
Mentira.
Brasileiro é bobalhão.
Fazer piadinha com as imundices que acompanhamos todo dia é o mesmo que tomar bofetada na cara e dar risada. Depois de um massacre que durou quatro dias em São Paulo, ouvir o José Simão fazer piadinha a respeito e achar graça, é o mesmo que contar piada no enterro do pai. Brasileiro tem um sério problema. Quando surge um escândalo, ao invés de protestar e tomar providências como cidadão, ri feito bobo. Brasileiro é um povo trabalhador.
Mentira.
Brasileiro é vagabundo por excelência.
O brasileiro tenta se enganar, fingindo que os políticos que ocupam cargos públicos no país, surgiram de Marte e pousaram em seus cargos, quando na verdade, são oriundos do povo.
O brasileiro, ao mesmo tempo em que fica indignado ao ver um deputado receber 20 mil por mês, para trabalhar 3 dias e coçar o saco o resto da semana, também sente inveja e sabe lá no fundo que se estivesse no lugar dele faria o mesmo. Um povo que se conforma em receber uma esmola do governo de 90 reais mensais para não fazer nada e não aproveita isso para alavancar sua vida (realidade da brutal maioria dos beneficiários do bolsa família) não pode ser adjetivado de outra coisa que não de vagabundo. Brasileiro é um povo honesto.
Mentira.
Já foi.
Hoje é uma qualidade em baixa.
Se você oferecer 50 Euros a um policial europeu para ele não te autuar, provavelmente irá preso. Não por medo de ser pego, mas porque ele sabe ser errado aceitar propinas.
O brasileiro, ao mesmo tempo em que fica indignado com o mensalão, pensa intimamente o que faria se arrumasse uma boquinha dessas, quando na realidade isso sequer deveria passar por sua cabeça. 90% de quem vive na favela é gente honesta e trabalhadora.
Mentira.
Já foi.
Historicamente, as favelas se iniciaram nos morros cariocas quando os negros e mulatos retornando da Guerra do Paraguai ali se instalaram. Naquela época quem morava lá era gente honesta, que não tinha outra alternativa e não concordava com o crime.
Hoje a realidade é diferente. Muito pai de família sonha que o filho seja aceito como 'aviãozinho' do tráfico para ganhar uma grana legal. Se a maioria da favela fosse honesta, já teriam existido condições de se tocar os bandidos de lá para fora, porque podem matar 2 ou 3 mas não milhares de pessoas. Além disso, cooperariam com a polícia na identificação de criminosos, inibindo-os de montar suas bases de operação nas favelas. O Brasil é um pais democrático. Mentira. Num país democrático a vontade da maioria é Lei. A maioria do povo acha que bandido bom é bandido morto, mas sucumbe a uma minoria barulhenta que se apressa em dizer que um bandido que foi morto numa troca de tiros, foi executado friamente. Num país onde todos têm direitos mas ninguém tem obrigações, não existe democracia e sim, anarquia. Num país em que a maioria sucumbe bovinamente ante uma minoria barulhenta, não existe democracia, mas um simulacro hipócrita. Se tirarmos o pano do politicamente correto, veremos que vivemos numa sociedade feudal: um rei que detém o poder central (presidente e suas MPs), seguido de duques, condes, arquiduques e senhores feudais (ministros, senadores, deputados, prefeitos, vereadores). Todos sustentados pelo povo que paga tributos que têm como único fim, o pagamento dos privilégios do poder. E ainda somos obrigados a votar. Democracia isso? Pense! O famoso jeitinho brasileiro. Na minha opinião um dos maiores responsáveis pelo caos que se tornou a política brasileira. Brasileiro se acha malandro, muito esperto. Faz um 'gato' puxando a TV a cabo do vizinho e acha que está botando pra quebrar. No outro dia o caixa da padaria erra no troco e devolve 6 reais a mais, caramba, silenciosamente ele sai de lá com a felicidade de ter ganhado na loto... malandrões, esquecem que pagam a maior taxa de juros do planeta e o retorno é zero. Zero saúde, zero emprego, zero educação, mas e daí? Afinal somos penta campeões do mundo né? Grande coisa... O Brasil é o país do futuro. Caramba , meu avô dizia isso em 1950. Muitas vezes cheguei a imaginar em como seria a indignação e revolta dos meus avôs se ainda estivessem vivos. Dessa vergonha eles se safaram... Brasil, o país do futuro !? Hoje o futuro chegou e tivemos uma das piores taxas de crescimento do mundo. Deus é brasileiro. Puxa, essa eu não vou nem comentar... O que me deixa mais triste e inconformado é ver todos os dias nos jornais a manchete da vitória do governo mais sujo já visto em toda a história brasileira. Para finalizar tiro minha conclusão: O brasileiro merece! Como diz o ditado popular, é igual mulher de malandro, gosta de apanhar . Se você não é como o exemplo de brasileiro citado nesse e-mail, meus sentimentos amigo, continue fazendo sua parte, e que um dia pessoas de bem assumam o controle do país novamente. Aí sim, teremos todas as chances de ser a maior potência do planeta. Afinal aqui não tem terremoto, tsunami nem furacão.Temos petróleo, álcool, bio-diesel, e sem dúvida nenhuma o mais importante: Água doce! Só falta boa vontade, será que é tão difícil assim?

(Arnaldo Jabor)


quarta-feira, 9 de abril de 2008

85. Confie...


As coisas acontecem na hora certa, exatamente quando devem acontecer!
Momentos felizes, louve a Deus.
Momentos difíceis, busque a Deus.
Momentos silenciosos, adore a Deus.
Momentos dolorosos, confie em Deus.
A cada momento, agradeça a Deus.

terça-feira, 8 de abril de 2008

84. Piccadilly Circus

Li esse texto hoje, na página da Folha de S. Paulo

É lindo, pra dizer o mínimo.

Ouso dizer que até me identifico com a situação, mas isso não é algo para ser explicado aqui...

Notem a linha em laranja. Eu fico pensando que... deve ter sido bem triste escrever esse texto.

Bom... Leiam!

Beijos,

Amanda

***

O cabelo ruivo. Os olhos, claros e vivos, num rosto pequeno e limpo, sem traço de pintura nenhuma

Para H. L. (1965-2008)

ACONTECEU NAS vésperas de Natal. Eu deixei o colégio em Oxford, tomei um trem para Londres e cheguei na cidade pela hora do almoço. O meu vôo para Lisboa era ao final da tarde, e eu decidi, com a inevitável nostalgia da época, fazer umas compras finais. Entrei no Fortnum & Mason, um armazém junto a Piccadilly Circus, e escolhi: perfumes, chocolates, um lenço para a minha irmã. Depois pedi para embrulhar. Aguardei. E ela entrou.
O cabelo era ruivo. Os olhos, claros e vivos, num rosto pequeno e limpo, sem traço de pintura nenhuma. Olhei, ela olhou. Demoradamente. Nos filmes, é fácil resolver o impasse: alguém se aproxima, alguém se apresenta. A trilha sonora costuma ajudar. Mas faltam roteiristas na vida real. E eu, preso ao balcão, aguardando o meu presente, não tinha uma só frase para oferecer.
Ela passeou pelo espaço. Sem pressa, sem interesse. Depois saiu por onde entrara, devolvendo o olhar. Com um sorriso. Devolvi também, disse à moça de serviço para esquecer o papel de embrulho e o pagamento com cartão de crédito. Espalhei umas notas pelo balcão, disse um "keep the change" ("fique com o troco", como dizem nos filmes), voei pela escadaria abaixo e saí para a rua.
Piccadilly era um dilúvio de gente. Véspera de Natal, lembram? Caminhei até a esquina, procurando uma cabeça ruiva no meio da multidão. Encontrei várias. Não encontrei nenhuma. Cansado de procurar pelo quarteirão, sentei-me num banco do jardim de St. James, as malas pesando, um almoço de improviso num saco de papel. E frio, muito frio. Confirmei a hora do vôo e decidi que era hora de partir.
Sem entusiasmo. Sem ela.
O táxi parou. Entrei, murmurei "Heathrow", encostei a cabeça com um suspiro de rendição. Chovia, agora. Se não chovia, chove na minha memória. O carro começou a andar e, segundos depois, parou no primeiro semáforo. Nos filmes, esse é o momento das aparições: ele olha pela janela e encontra o que procurava.
A vida não é um filme. Mas a vida imita os filmes. Então, eu olho pela janela e encontro o que procurava. Limpo o vidro com a manga do casaco. Confirmo. Confirma-se. O cabelo ruivo. Os olhos, claros e vivos, num rosto pequeno e limpo, sem traço de pintura nenhuma. E ela, só, sentada na mesa de um café.
O sinal abre, o carro prepara-se para continuar. O rapaz pede ao motorista para parar. O rapaz pede ao motorista para esperar. Sai do carro, aproxima-se da vitrine do café. Ele olha para ela. Sorri. Acena. Ela olha para ele. Sorri. Acena também. Ele entra no café. O que dizer? O que não dizer? Milhares de páginas lidas e escritas, e nenhuma frase para o salvar. Ele, um cronista? Não sejam ridículos.
Ele foi ridículo. "Eu a conheço?", perguntou, o supremo clichê. Arrependeu-se da pergunta, mas era tarde. Ela ria. Ele ria com ela. "Infelizmente, não creio", respondeu-lhe. Chamava-se Hannah. "Com dois agás", disse ela, desenhando o nome no tampo da mesa com a ponta do dedo. Estava de passagem por Londres. Como ele. Compras para a família. Como ele. Volta para casa no final da tarde. Como ele. Nenhum dos dois voltou para casa naquele dia.
Sim, lembro-me de tudo. Ela também. Sentados no mesmo café, sete anos depois. De passagem. Sempre de passagem. Contamos histórias. Coisas feitas, coisas desfeitas. Alegrias. Tristezas. As pessoas que vieram. As pessoas que partiram. Fotografias dos filhos dela. "Esse é o mais novo", e aponta para um rosto de criança com o mesmo dedo com que desenhara o seu nome imaginário, numa outra vida. Eu limito-me ao comentário banal. Bonito. Parecido com a mãe. Parabéns. Mulher de sorte. E, por cada frase dita, o meu espanto cresce pela distância que existe entre o presente e o passado. Envelhecemos ambos. Mas a idade vale pouco quando é de estranheza que falamos. Dois estranhos.
A noite cai em Piccadilly. Véspera de Natal. Deixamos o café, caminhamos por entre compradores festivos e, num silêncio demasiado amargo para ser prolongado, ela pergunta, a medo: "Voltarei a ver-te? Ou só daqui a sete anos?" E ri como antigamente. Os mesmos olhos, claros e vivos, num rosto pequeno e limpo, sem traço de pintura nenhuma. Eu faço sinal para chamar um táxi, beijo-a no rosto e digo um "claro que sim" que não convence nenhum dos dois. Ela sorri. Eu entro no carro. Ela fica.
O carro volta a andar. Não pára em nenhum sinal.

(JOÃO PEREIRA COUTINHO - Folha de S. Paulo | Ilustrada)

domingo, 6 de abril de 2008

83. Andando sobre a àgua


É como se eu tivesse que sair do meu castelo, toda semana.
Tivesse que atravessar a ponte sobre a àgua.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Vivendo...


Email da Dê...

"Com a Páscoa, minha casa ficou cheia de chocolates...
Com o trabalho eu fiquei cheia de cansaço...
Com a Faculdade eu fiquei cheia de provas/trabalhos/prjetos!
Com o namoro eu to cheia de Amor!
Sem vc eu to cheia de Saudade!"

Amo! And Miss!
BeijO*